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23/07/2015
 
Três Fontes à Brasileira
 
 


As Trapalhadas da Oposição: uma Aventura na Venezuela

Enquanto o governo e parte da esquerda parecem perplexos, sem compreender o que acontece na arena política, a oposição se dedica a criar factoides. Digna de nota foi a aventura venezuelana de uma comissão de senadores oposicionistas comandada por Aécio Cunha, aliás Neves. Sob o pretexto de visitar um líder oposicionista preso em Caracas e verificar as condições em que se encontra detido, bem como agitar pela libertação do mesmo, os intrépidos oposicionistas conseguiram ficar presos eles mesmos num engarrafamento na capital venezuelana, com o que converteram a missão num espetáculo de denuncismo, declarando-se ameaçados e agredidos por massas de chavistas fanáticos, que os impediram de chegar até a cadeia e os forçaram a voltar de mãos abanando, e desmoralizados pelas próprias bravatas.

As massas que tanto intimidaram os nossos corajosos oposicionistas, no final, resumiam-se a a cerca de 200 manifestantes, perfeitamente contidos pela polícia venezuelana. A ausência do embaixador brasileiro, tão sentida pelos patrióticos senadores, fora discutida e combinada com eles mesmos, e o inocente líder oposicionista venezuelano que os bravos combatentes da democracia pretendiam apoiar está detido não por suas atividades políticas de oposição, mas por crimes comuns.

É uma pena que os senadores da oposição tenham malbaratado o capital político tão duramente conquistado pelo país nos últimos anos. No tempo em que eles eram situação, ninguém imaginaria senadores brasileiros envolvendo-se em assuntos internacionais, pois o país não tinha voz nem peso no exterior. Agora que o Brasil conquistou respeitabilidade no plano mundial, os “nossos” senadores a desperdiçam com missões mal concebidas e pior executadas, fracassando de propósito para tentar atribuir as causas do malogro ao governo brasileiro.

Eduardo Cunha: da Adesão ao Destempero

As urnas ainda estavam sendo encerradas e os derrotados do segundo turno nas eleições presidenciais de 2014 se contorciam, envolvidos em lenços e lágrimas, negando-se a reconhecer a derrota que acabavam de sofrer. A dor foi maior ainda, porque os serviçais de plantão se anteciparam com resultado que se revelou intempestivo e falso. Mas essa foi a senha para que os inimigos e adversários do PT se colocassem de prontidão e a extrema-direita passasse a se expor utilizando métodos e práticas muito próprias aos tempos do fascismo. Ao instigar os enrustidos retrógrados foi possível também identificar e conhecer a verdadeira posição de lideranças tidas como aliadas do Governo, entre as quais se destaca o Presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha.


Passando os limites da razoabilidade, o Deputado Cunha tem se estressado com a Presidenta Dilma, com o Partido dos Trabalhadores e com a população mais carente. Após as manifestações de 15 de março achou que tudo podia: quis cortar no número de Ministérios pela metade; não se intimidou em se mostrar preconceituoso, homofóbico e racista; encaminhou votação da PL da Terceirização; instigou a população e votou em primeiro turno a maioridade penal para menores de idade; comandou a participação de um comboio de senadores de direita que tentaram invadir a Venezuela (mas ele própria não foi). Como no dito popular: sem noção.


Mais recentemente, depois de ser citado na operação Lava Jato, o homem surtou de uma forma que nem os funcionários da Câmara Federal aguentam mais. Saiu esbravejando e anunciando pelos quatro cantos que iria comandar o impeachment da Presidenta Dilma; fez despropositado alarido junto a mídia para afirmar estava se deslocando ao Supremo Tribunal Federal onde iria discutir a questão. Disse ter procurado o Ministro Gilmar Mendes para apresentar sua posição pró-impeachment. Tem desdenhado das autoridades, exercitando seu mandato para além dos seus poderes. Como se não bastasse, tem repetidas vezes reforçado a tese do parlamentarismo, para fustigar o Partido dos Trabalhadores.


Não obstante, o economista e exacerbado evangélico Eduardo Cunha tem uma vida pregressa recheada de problemas e cheia de trampanagens, com práticas muito distantes das que apregoa. Em primeiro lugar revela-se um político sem ideologia; aliás, tem se pautado por espaços de onde possa tirar vantagens, assim foi com PRN, PPB e agora com o PMDB. Não obstante, o Deputado Eduardo Cunha em suas passagens por cargos executivos tem uma longa ficha de serviços prestados ao desmando administrativo.


Quando de sua estada pela TELERJ (empresa de comunicação do Estado do Rio de Janeiro), uma nomeação feita por Fernando Collor, a pedido de seu tesoureiro, Paulo César Farias, no período em que Eduardo Cunha esteve à frente da empresa o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro constatou uma série de irregularidades na sua administração: falhas em licitações; superfaturamento de contratos; contratos sem licitação. Nessa esteira foi descoberto contrato de aquisição de material eletrônico no valor de 92 milhões de reais (sem licitação) da fornecedora NEC do Brasil. Diante desse cipoal de irregularidades o recém empossado presidente Itamar Franco o demitiu sumariamente.


Durante o transcorrer dos anos noventa Eduardo Cunha foi vinculado ao Esquema PC Farias, envolvendo-se com movimentações irregulares de contas bancárias, chegando a condição de réu no maior escândalo de corrupção do país, numa ação que o envolvia com Jorge Luiz da Conceição, o principal operador de contas fantasmas. Um processo que infelizmente ainda se encontra travado por conta de recursos jurídicos.


Graças a sua amizade com o Governador Anthony Garotinho foi nomeado para a Secretaria de Habitação do Estado do Rio de Janeiro e acaba assumindo a Companhia Estadual de Habitação, por pouco tempo é verdade, mas o suficiente para novas investidas no submundo da corrupção. No comando da COHAB Eduardo Cunha se envolve em contratos sem licitação e favorecimento de empresas fantasmas; numa dessas negociações comprometeu recursos da ordem de 34 milhões de reais. O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro – TCRJ – comprovou irregularidades em contratos, assim como superfaturamento em compras e serviços.


Com apoio do governador do Rio de Janeiro se elege em 2002 Deputado Federal e no ano seguinte troca de partido vindo a filiar-se ao PMDB, coincidência à parte, o partido do Vice-Presidente República, o que obviamente significa abertura de novas fronteiras para sua prospecção econômica e ampla possibilidade de movimentação no universo das nomeações, interação com o mundo dos negócios e prestígio. Chegou à presidência da Câmara dos Deputados peitando velhos caciques do PMDB, mas em grande parte se cacifando junto a bancada dos evangélicos e aproveitando-se da conjuntura adversa em que vive o país, aliando-se à parlamentares conservadores e insatisfeitos com o governo Dilma Rousseff.


Já na condição de Presidente da Câmara dos Deputados, encaminhou e aprovou no começo deste ano a construção de um shopping no Congresso Nacional, uma edificação ao custo previsto de um bilhão de reais. Aliás, uma ideia delirante, mas à qual não faltaram bajuladores, tanto é verdade que um deputado do Estado de São Paulo se adiantou dizendo que a Câmara dispunha de recursos na ordem de 300 milhões de reais para iniciar as obras. Tudo feito a toque de caixa para não despertar a atenção da população, que mais uma vez vê seus parcos recursos sendo drenados em proveito exclusivo de alguns “nobres parlamentares”.


Até que ponto a sociedade vai continuar sendo emprenhada pelos ouvidos, pelo contínuo e permanente tagarelar de algumas redes sociais e da grande imprensa, que alimentam bazófias e bravatas delirantes do deputado Eduardo Cunha, o qual não tem a menor autoridade política e moral para continuar dirigindo uma casa importante como a Câmara dos Deputados?

Ver Coluna de Artigos

A Tragédia Grega e a Farsa Europeia.

 
 

 

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