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17/07/2015
 
Carta do Rio Vermelho
 
 

Carta do Rio Vermelho

Manifestou-se neste 5° Congresso do PT uma força política petista nova e poderosa que, temos certeza, tem o apoio da imensa maioria dos militantes e filiados que aspiram mudanças profundas no PT. Esta força política de mudança que já traduz a maioria de 35 deputados federais e que conta com a simpatia pública de senadores, tem com o apoio da intelectualidade de esquerda, das principais lideranças dos movimentos sociais - a exemplo dos sindicalistas petistas da CUT - e de militâncias cristãs populares e que não abrem mão da ética na política.

Esta força política nova contou em várias votações com mais de 40% dos delegados e delegadas, chegando a obter 45% dos votos.

Ela conseguiu neste 5° Congresso a aprovação de uma resolução importantíssima em relação à politica econômica do nosso governo Dilma que afirma:


"Conduzir a orientação geral da política econômica para a implementação de estratégias para retomada do crescimento, para a defesa do emprego, do salário e dos demais direitos dos trabalhadores que permita a ampliação das políticas sociais" e também que o equilíbrio das contas públicas seja pago pelos que mais lucram e têm mais renda.

Esta força política poderosa de renovação apenas começou o seu trabalho. Ela deve ir ao encontro das centenas de milhares de petistas que esperam a palavra nova da mudança.
Estão começando a nascer o movimento político "Mudar o PT para Continuar Mudando o Brasil". É este movimento que pode renovar as forças políticas em defesa do governo Dilma e permitirá derrotar mais uma vez os neoliberais e conservadores.

Interessantes observações do companheiro Bernardo Cotrim sobre o congresso do PT:

No esforço de contribuir para um balanço coletivo do V Congresso do PT, rabisco alguns tópicos:

- Frente ao drama do PT e do governo, imerso em contradições geradas pela combinação, a grosso modo, da diluição da identidade socialista e democrática do primeiro, os impasses gerados pela descontinuidade da política vencedora das eleições presidenciais no 2º turno por parte do governo, e o moto-contínuo de ataques da direita em todas as suas frentes, o V Congresso iniciou-se cercado de profundas expectativas de mudança. Este ambiente foi turbinado, poucos dias antes, com o lançamento de dois documentos de importância ímpar - a carta assinada por 400 dirigentes do sindicalismo cutista e o manifesto que agregou a maioria da bancada federal - ambos somando-se ao discurso que apontava a necessidade de mudanças imediatas na política do governo e no modelo de partido que temos, reforçando sua capacidade de recuperar a iniciativa da agenda política e impulsionar um novo ciclo de lutas e mudanças.


- Esta expectativa foi frustrada. A substituição do documento da maioria partidária por outro de tom mais ameno, o discurso surpreendentemente protocolar do presidente Lula, na contramão do pronunciamento feito na comemoração dos 35 anos do PT, quando defendeu a atualização do manifesto de fundação do PT, e o lançamento de uma campanha financeira exatamente no horário dos grupos de discussão baixaram a temperatura do congresso e sinalizaram a opção conservadora da CNB, tornada ainda mais visível quando o debate finalmente emergiu nos grupos.

- Chama a atenção o "sumiço" do núcleo histórico de elaboração política da maioria. Em comparação com o IV Congresso, a direção política que conduziu a vitória da CNB teve a presença destacada de lideranças contrárias às mudanças positivas aprovadas no congresso anterior. Consolidou-se, portanto, uma "energia de restauração" empenhada na missão (bem sucedida) de conservar a unidade da maioria interna. Merece um olhar mais atento a construção política e cultural de uma identidade de grupo capaz de convencer dirigentes sindicais a votar contra uma resolução contra a política econômica apresentada pelos próprios, militantes partidários que votaram e assinaram textos contra o PED a abrir mão da posição, apresentar-se impermeável às formulações de uma expressiva minoria (superior à 40% dos delegados) e interditar um diálogo colaborativo mais amplo, capaz de unificar o partido. É especialmente feliz a imagem utilizada por Camila Moreno ao comentar a "dança da vitória" de alguns militantes após o encerramento da plenária final: "espero não estar assistindo ao nosso Baile da Ilha Fiscal".

- São precoces, no entanto, conclusões apocalípticas que indicam a falência do PT e o seu consequente fim. O V Congresso tem como signo forte a atuação conjunta de uma minoria plural e bastante expressiva, unificada em resoluções que expressam o sentimento de uma ampla militância identificada com o petismo, ansiosa por participar de um partido mais combativo e democrático, dialogando com a movimentação política da maioria da bancada parlamentar federal e com as posições e expectativas de inúmeros dirigentes intermediários. A intervenção brilhante do companheiro Patrus Ananias, ao defender o papel pedagógico e cidadão da participação política, é o momento de maior força do congresso inteiro, na contramão de falsas polêmicas, como a antinomia entre partido de quadros versus partido de massas, há muito superada pelo PT e recuperada como cortina de fumaça de um discurso politicamente desonesto e intelectualmente indigente.


- Cabe aos setores que protagonizaram este movimento prosseguir no esforço de síntese e de movimentos combinados, reencantando a militância e organizando iniciativas coletivas que expressem o partido que queremos, constituindo um vigoroso e permanente movimento público capaz de chacoalhar as estruturas fossilizadas do PT, renovar nossas esperanças e impulsionar as lutas necessárias. Lembrando Fernando Brant, que nos deixou precocemente: "Se muito vale o já feito, mais vale o que será!"

 
 

 

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