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12/05/2013
 
Concepção de Socialismo
 
 

 

Concepção de Socialismo

 

Entendemos o socialismo não como uma abstração, nem como “uma proposta a mais” a ser debatida pela sociedade. Para nós, o socialismo não é simplesmente a radicalização da democracia, embora certamente implique essa radicalização. O socialismo, como o entendemos, é a transição para uma sociedade sem classes; é a desmontagem do sistema de opressão e exploração capitalista. Portanto, para nós, o socialismo é o exercício do poder pela classe trabalhadora – a classe cujo interesse histórico é a supressão do capital e do capitalismo.

Desta forma, para nós o socialismo é a expressão da vontade da classe trabalhadora em luta pelo fim da opressão. Nenhuma definição de socialismo que não remeta, de forma central, à classe trabalhadora, tem, do nosso ponto de vista, verdadeira utilidade. Ora, a exploração capitalista se processa fundamentalmente dentro do espaço “privado” das unidades produtivas capitalistas – as empresas. Todo “socialismo” bem-comportado, que toca a campainha à porta da empresa capitalista e espera ser atendido, só é socialismo no nome.

De nada adianta falar em “democracia” ou república no abstrato, enquanto as empresas continuarem a ser o que necessariamente são num sistema capitalista: ditaduras monárquicas ou oligárquicas dos capitalistas. Assim, socialismo, para nós, não pode significar apenas um reordenamento da esfera pública (por mais importante que isto também seja): é absolutamente essencial trazer as empresas para a esfera pública, tirá-las da esfera privada, transformá-las em espaços democraticamente geridos pelos trabalhadores, derrubar o monopólio burguês dos meios de produção.

Evidentemente, sabemos que não é possível o exercício do poder democrático dos trabalhadores dentro das empresas sem a conquista do poder político pela classe operária. O capitalismo não pode ser destruído “em fatias”: é preciso desmonta-lo a partir do centro, e para isso é necessário que a classe trabalhadora se apodere do poder de Estado. Mas a medida em que esse poder de Estado está a serviço da classe trabalhadora, e não de uma camada burocrática só pode ser verificada pelo grau de liberdade desfrutado pelos trabalhadores em seus locais de trabalho.

Desta forma, as laboriosas construções teóricas a respeito do caráter estatista ou não estatista do socialismo pecam pelo seu caráter abstrato. Evidentemente, sabemos que não basta estatizar as empresas, e mesmo que essa estatização, sem romper com os mecanismos opressivos tradicionais dentro das empresas, e sem uma superação efetiva da lógica do valor, é mais prejudicial do que benéfica. Aprendemos, também, com as experiências do Leste Europeu, que o Estado não se dissolve sozinho; que, ao contrário, busca se reproduzir e perpetuar sua existência, e que portanto os fenômenos burocráticos não podem ser menosprezados como episódios passageiros, requerendo a atenção ativa da classe e a luta cotidiana pela sua destruição. Mas o centro da discussão sobre o socialismo não é esse. É o poder da classe operária, poder que só se efetiva quando exercido, simultaneamente, nos órgãos dirigentes da sociedade como um todo e dentro dos locais de trabalho.

 
 

 

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