topo
 
 
 
 
 
02/05/2013
 
Anatomia da Micro-Seita (Hal Draper)
 
 

Anatomia da Micro-Seita

Hal Draper (1973)



Documento inédito distribuído privadamente em 1973. [1]
Traduzido da versão online em http://www.marxists.org/archive/draper/1973/xx/microsect.htm#n3 (Marxists’ Internet Archive).

© Center for Socialist History.


Tradução: Luís Henrique (maio de 2012)

Observação: As notas de rodapé marcadas (H.D.) são traduções das notas originais do autor. As notas marcadas (L.H.) foram introduzidas na tradução, para esclarecer aspectos que são triviais para o leitor americano mas provavelmente escapariam ao leitor brasileiro.

Introdução

Luís Henrique

Este texto, escrito pelo socialista norte-americano Hal Draper (1914-1990) em 1973, foi traduzido por mim, dentro do esforço que vem sendo feito pelo Movimento pela Reafirmação do Socialismo em 2012, no sentido de clarificar e aprofundar suas posições.

Draper foi um proponente constante (desde sua juventude, quando o estalinismo ainda parecia uma alternativa crível para a construção de um mundo socialista) do que ele chamava “socialism from below” – socialismo a partir de baixo. Nós estamos acostumados a estabelecer uma distinção clara entre a relação partido/massa proposta por Rosa Luxemburgo e a desenhada por Lênin. Draper não procede assim; ao contrário, reinterpreta Lênin, de uma forma que as posições defendidas por este não diferem muito das de Rosa Luxemburgo. Não é esta a importância do texto, nem o objetivo desta tradução é discutir se nossa interpretação das ideias de Lênin está historicamente correta. O que nos interessa é discutir as formas organizativas em si mesmas, independente de quem as tenha proposto.

Este é o propósito desta tradução, e da discussão a ser feita a partir dela. Primeiro, assimilar o conceito de “seita”, como colocado por Draper, adequando-o à nossa realidade, de forma a aprofundar nossa crítica às formas de organização hoje comuns à esquerda brasileira mais radical do que a Articulação, inclusive à nossa própria corrente, identificando as maneiras como essa organização em seitas dificulta a radicalização política dos trabalhadores, em última análise facilitando a despolitização, o conformismo, a passividade que deveríamos estar combatendo. Segundo, debater o conceito que Draper contrapõe à seita – o de “centro político”, e analisar como, em que medida, e, é claro, se é adequado às necessidade da nossa prática.

Lênin – já que estamos falando dele – descreveu de forma bastante aprofundada os mecanismos da degeneração “de direita” do movimento socialista, em termos que não diferem, no fundamental, dos usados por Rosa em seu “Reforma ou Revolução”, enfatizando sobretudo a acomodação dos grupos reformistas a um modo de vida sob o capital, ainda que explorando os atritos entre burgueses e operários. Mas, como é notório, ao discutir a degeneração “de esquerda”, em seu famoso “Doença Infantil do Comunismo”, nem aprofundou a discussão da base material dessa degeneração, nem a situou corretamente, vendo nela nada mais que uma desordem passageira no rumo correto da construção do movimento socialista; uma espécie de sarampo ou rubéola em comparação com a lepra do reformismo. Um século depois, essa análise não se sustenta mais: a pequena seita de iluminados, donos da verdade, é tão nociva à luta pelo socialismo quanto a mentalidade bovina da social-democracia ou do estalinismo reformista.

Draper não faz no texto a seguir uma análise realmente aprofundada da degeneração sectária – ninguém, ao que eu saiba, jamais o fez – mas tem pelo menos o mérito de iniciar a discussão e apontar a gravidade do fenômeno, assim como proceder pelo menos a uma análise preliminar, ainda que superficial. A ideia é que possamos, a partir dela, proceder a uma autópsia mais detalhada do problema, assim como, e principalmente, começar a trabalhar no sentido de uma organização que supere a problemática e nos coloque no rumo, de novo, da luta por uma sociedade sem classes e sem exploração.

Brasília, 25 de maio de 2012

Anatomia da Micro-Seita

Hal Draper

Sobre o caminho para um Movimento Socialista Americano

Já que há socialistas nos Estados Unidos mas não um movimento socialista, é compreensível que os socialistas digam, “Vamos formar um movimento socialista.” Todas as considerações apontam para esse passo óbvio, e não há argumentos contra isto, exceto um. Este é o fato – o fato histórico – de que ninguém pode simplesmente decidir “fazer” uma revolução. O que quer que seja formado por decreto se tornará uma seita1 a mais, ainda que de um tipo melhorado de seita que acredita não ser sectária.

Vamos deixar claro de saída que não temos a resposta para a pergunta de um milhão de dólares, uma fórmula ou truque que basta seguir para infalivelmente fazer sair um partido ou movimento do buraco em que se escondem. Teremos de apalpar o caminho por algum tempo. Mas temos algumas ideias sobre a direção na qual apalpar, e critérios para decidir quais desenvolvimentos representam promessas ou obstáculos.

1. O caminho para a frente

Um movimento socialista se tornará uma possibilidade neste país, como em outros, quando suas bases forem amadurecidas pelas condições sociais e políticas. Se, contudo, não pode ser criado simplesmente por um esforço da vontade, também é historicamente verdade que não é apenas uma questão de geração espontânea. Quando as bases para um movimento socialista amadurecerem, será difícil para este surgir a menos que o movimento nascente se cristalize com a ajuda de elementos socialistas ativos. Todo movimento socialista sempre foi o resultado da fusão de espontaneidade e liderança, de elementos que se desenvolvem naturalmente e organização consciente.

Isto significa que, para nós socialistas americanos hoje, que almejamos a construção de um genuíno movimento socialista, há um curso de ação que fará avançar esse objetivo e o fará mais próximo, que fertilizará o solo em que brotar, que tornará mais fácil o amadurecimento de seus elementos. A alternativa à criação por decreto não esperar passivamente que nasça por si mesmo sem a intervenção de mãos humanas.

Daí se segue que o curso adotado agora pelos socialistas americanos também pode ter o efeito oposto, de desencorajar as disposições para movimento genuíno, de esterilizar o solo onde as sementes do movimento poderiam germinar, de tornar mais difícil para os trabalhadores achar o caminho para um movimento socialista em construção.

Infelizmente, é esse último curso que é hoje dominante entre as seitas, seitinhas e micro-seitas do que hoje passa por socialismo nos Estados Unidos. A forma de seita dos agrupamentos socialistas americanos hoje é um obstáculo no caminho, e as noções sectárias que são dominantes nestes agrupamentos constituem um veneno que poderia imobilizar e fazer abortar um movimento socialista que eventualmente começasse.

2. Fragmentação

O socialismo americano hoje atingiu um novo patamar rebaixado em termos de fragmentação sectária. Há mais seitas circulando neste momento do que jamais existiram em todos os períodos anteriores no país como um todo. Politicamente falando, elas em média caíram do nível da opereta para o do gibi. Enquanto as seitas esotéricas (principalmente rachas trotsquistas) da década de 1930s tendiam a uma espécie de super sofisticação no marxismo e futilidade na prática, há um enxame de grupelhos hoje (principalmente maoistas e castristas) caracterizado pela amnésia da tradição marxista, ignorância da experiência socialista, e extremo primitivismo. O caminho para um movimento socialista americano certamente passa por sobre os destroços, ou ao largo dos galhos podres desta fétida selva de seitas.

Certamente, reconhecemos que há seitas e seitas: ainda temos conosco algumas seitas e seitinhas do tipo “clássico”, isto é, fúteis e fossilizadas, mas distintas da nova safra de seitas neo-estalinistas (maoistas, castristas, etc.) que representam um perigo mais incisivo a qualquer desenvolvimento saudável no movimento da classe trabalhadora. É característico destas últimas o não querer um movimento de classe – não por causa de alguma concepção especial de organização, mas por cause de suas concepções políticas básicas. Assim como seu “socialismo” é o domínio de um despotismo estatal sobre uma economia burocraticamente coletivizada, também o seu caminho organizativo para o poder é a formação de um grupo de elite de Líderes Máximos que se considera pronto para impor seu próprio jugo no momento propício, sobre uma sublevação elemental do povo (isto é novo apenas no sentido de ser uma regurgitação, em novas formas, do mais antigo tipo de movimento esquerdista, os círculos golpistas Jacobinos que dominavam antes do surgimento do marxismo.)

Se essas seitas neo-estalinistas são “orientadas” para a classe trabalhadora – ou para os lumpempobres, ou os negros, ou o “terceiro mundo”, etc. – é apenas no sentido em que homens com pressa se orientam em direção a um grupo de cavalos. Elas tornam claro que o conteúdo histórico do “maoismo” em suas diferentes variedades é a concepção da revolução burocrática pelo alto, planejada por um grupo de líderes autonomeados montado nas costas, e segurando as rédeas, de um movimento de classe, finalidade para a qual a melhor classe é a que tiver menos iniciativa e capacidade de organização, tal como o campesinato. Esses elementos são – alguns por razões de composição classista – inimigos da democracia revolucionária do socialismo.

Assim, esses elementos também precisam da seita como forma organizativa. Para eles a seita não é um mal necessário na ausência de um movimento real: ela é o movimento. Nem mesmo o tamanho minúsculo é necessariamente um problema: Fidel não “fez” a revolução com apenas meia-dúzia de homens de qualidade?2 Quantos comissários são necessários na Longa Marcha? Isto é de fato parte na dinâmica por trás da atual proliferação de seitas, pois elas não se deixam inibir pelo preconceito de que um “partido” precisa de militância de base.

3. A seita clássica

Quanto ao tipo “clássico” de seita ainda em funcionamento: estas presentemente se dividem mais ou menos entre as que vêm da tradição da seita trotsquista e as que exemplificam o padrão social-democrata (com certeza, os grupelhos trotsquistas se diluem, em um extremo do espectro, no tipo neo-estalinista, em particular a maior das seitas, o “Partido” Socialista dos Trabalhadores” – SWP – americano, cuja política tem se movido com regularidade desde a morte de Trotsky em direção à estalinização.)

O que caracteriza a seita clássica foi mais bem definido pelo próprio Marx: ela contrapõe seu critério sectário de pontos programáticos ao movimento real dos trabalhadores na luta de classe, o qual pode não corresponder às suas elevadas expectativas. A pedra angular de suporte (o “point d’honneur,” nos termos de Marx) é a conformidade com os shibboleths3 vigentes da seita – quaisquer que possam ser, incluindo pontos programáticos em si mesmos válidos. A abordagem proposta por Marx era diferente: sem abrir mão nem esconder de forma alguma a sua própria política programática, o verdadeiro marxista busca as linhas de luta calculadas para colocar setores decisivos da classe em ação – em movimento contra os poderes estabelecidos do sistema (Estado e burguesia e seus agentes, incluindo seus tenentes trabalhistas dentro do movimento dos trabalhadores). E para Marx, é essa realidade de colisão social (de classe) que vai servir para elevar a consciência de classe ao nível do programa do movimento socialista.

Mover um setor da classe a agir contra os poderes estabelecidos apenas um passo adiante é mais importante que “mil programas”, Marx e Engels costumavam reiterar, e não faz sentido denunciá-los por rebaixar a política programática. Para a mentalidade sectária, a abordagem deles é completamente incompreensível. Por mais de um século agora, temos visto as duas pedras angulares; e a diferença é óbvia agora como sempre foi. O teste mais importante sempre foi a relação entre os autoproclamados marxistas e a classe trabalhadora organizada no nível econômico elementar, isto é, o movimento sindical (o teste é ainda mais decisivo nos Estados Unidos, onde, infelizmente, o movimento sindical é o único movimento de classe dos trabalhadores que existe).

4. Seitas e sindicatos

O socialista-seitista4 sempre sentiu uma dificuldade dilacerante em face de um movimento sindical que rejeita o socialismo; e o predomínio da vida de seita na história do socialismo foi acompanhada pela predominância de uma hostilidade esquerdista ao sindicalismo como tal.

Marx e Engels constituíram a primeira escola socialista a manter uma posição de apoio ao sindicalismo enquanto tal (ao mesmo tempo que crítica das políticas, líderes, etc., determinados, é claro). E depois deles, a história socialista se divide principalmente entre os tipos social-democráticos que apoiavam o sindicalismo reformista precisamente por que eram eles mesmos mais reformistas que marxistas, e os socialistas supostamente revolucionários que achavam argumentos “revolucionários” para voltar às velhas tolices do antissindicalismo socialista – embelezadas com retórica marxística para encobrir sua abordagem seitista. Muito poucos ditos ou proclamados marxistas entenderam o coração da abordagem de Marx ao socialismo proletário: a estratégia básica para construir um movimento socialista está em fundir dois movimentos – o movimento de classe por isto ou aquilo que põe um setor decisivo da classe em colisão com os poderes estabelecidos do Estado e da burguesia, uma colisão em qualquer escala que seja possível; e o trabalho de permear esse movimento de classe com propaganda educativa pela revolução social, que integra os dois.

Se isso foi verdade, em menor ou maior grau, nos melhores dias do movimento marxista, tomou formas grotescas no passado recente da esquerda americana, isto é, durante a década de 1960, quando o impulso radical vinha temporariamente de setores não trabalhadores (estudantes e alguns negros não enraizados na vida da classe operária, por exemplo)5. A Nova Esquerda estudantil comummente engolia a imagem do movimento operário servida pelos lavadores de cérebro da academia: “Big Labor” (grande sindicalismo) como contraparte do Big Business (grande capital), identificação do sindicalismo com George Meany or Hoffa6, redução implícita do movimento sindical à sua burocracia, trabalhadores organizados como um estrato da “classe média” participante do “establishment” e todo resto do lixo ideológico dos moinhos mentais do verdadeiro establishment.

Mesmo entre aqueles elementos da Nova Esquerda – os melhores – que orientavam na direção do trabalho nas fábricas (“ir ao povo”), a concepção dominante era que os sindicatos enquanto tal teriam que ser substituídos por formações mais radicais por local do trabalho, que estariam de algum modo fora do sindicato sem ser uma duplicação da entidade. Essas concepções ou permaneceram no reino da fantasia, enquanto tornavam impossível para seus defensores integrar-se ao movimento real como militantes sindicais, ou (pior) foram implementadas destrutivamente em alguns lugares, trazendo prejuízo aos trabalhadores e descrédito aos militantes de esquerda. Em lugar algum o impulso da Nova Esquerda em direção às fábricas resultou em um movimento mais ou menos enraizado de militantes no movimento sindical que pudesse oferecer uma real oposição à burocracia estabelecida: essa é a sua condenação.

A abordagem seitista ao movimento da classe mostra suas orelhas pontudas em diversas formas que necessitam ser ilustradas. Aqui estão duas.

  • O estudante radical, coração cheio de simpatia pelos pobres trabalhadores, volta-se para a luta dos trabalhadores agrícolas como claramente merecendo seu apoio. Tipicamente ele não vai “ao povo” indo trabalhar no campo como outros trabalhadores; pois por que deveriam os seus talentos especiais ser soterrados no barro? Ele vai trabalhar para o sindicato, isto é, o que o sindicato chama um estudante voluntário. Impressionado pelo seu próprio sacrifício por um lado, por outro ele descobre que o sindicato de trabalhadores agrícolas não está à altura dos seus ideais a respeito de como a luta de classes deveria ser. Logo ele começa a reclamar que os estudantes voluntários não têm influência nas políticas, isto é, a demandar que parte dos poderes decisórios sejam transferidos dos membros do sindicato para os visitantes extraclasse que se dignaram a doar seu tempo. Ou, achando que a vida e a democracia internas do sindicato estão longe de satisfatórias, ele pode decidir que os trabalhadores agrícolas na verdade não merece o seu apoio. Ele daria a graça da sua presença salvadora apenas a lutas de classe certificadamente puras que se desenvolvam em outro plano planetário.

  • O movimento sindical mostrou-se muito atrasado em produzir oposição à guerra do Vietnã, como é bem sabido, enquanto o sentimento antiguerra crescia nos campus universitários. Em círculos estudantis, a pedra angular programática da completa oposição à guerra tornou-se o slogan da retirada unilateral, o qual era mais do que justificado. Mas, finalmente, aqui e ali, bolsões de oposição à guerra no movimento sindical começaram a se desenvolver. Com o tempo, alguns dos líderes trabalhistas mais socialmente conscientes e progressistas juntaram coragem e fundaram a “Labor Assembly for Peace” (Reunião Trabalhista para a Paz), sob violentas acusações por parte da burocracia de Meany. Esses começos eram tímidos em muitos aspectos, e, entre outras hesitações, expressaram oposição à guerra sem especificar o slogan de retirada unilateral. Não conhecemos exemplo mais flagrante da mentalidade de seita do que a atitude depreciativa tomada por militantes da Nova Esquerda diante desse começo de oposição à guerra no movimento sindical. Mesmo na área da Baía de San Francisco, que tinha o mais militante e mais aberto ramo da “Labor Assembly for Peace”, e onde líderes do grupo, se não o grupo em sim mesmo, falavam abertamente pela retirada unilateral, nem um único militante da Nova Esquerda pôde ser persuadido a manchar sua alma mantendo qualquer tipo de relação com um grupo tão atrasado a ponto de não assumir claramente a consigna de retirada unilateral. O fato de que esse desenvolvimento representava os primeiros passos de um setor responsável do sindicalismo entrando em colisão com os poderes estabelecidos não significava nada para os seitistas. A única consideração que entendiam e que podia salvar as suas almas era o seu shibboleth, que eles contrapunham ao real início do movimento de classe.

5. A vala em que estamos

Esse é o caminho da seita. Como sair dessa vala? Há duas noções que tentam remediar os males do sectarismo através de um alargamento da seita. A intenção é boa; o remédio não é praticável.

Uma é a proposta de abolir o sectarismo chamando à unidade de todas as seitas. Isto também pode ser apresentado como um caminho para a formação de um “movimento” socialista. É uma pobre ilusão. Na prática, pode significar uma série de negociações de unidade entre algumas das seitas (um passatempo comum), ou até mesmo a unificação de duas delas (um pingo no oceano). Mas a verdadeira unificação de todas as seitas é uma impossibilidade quando os shibboleths em que elas se baseiam são politicamente incompatíveis. O produto da unificação pode ser apenas uma seita um pouco maior, enquanto as condições para um movimento socialista genuíno não estiverem presentes. A ideia de uma seita “ampla” e inclusiva é um fogo-fátuo.

Programas políticos incompatíveis podem ser mantidos juntos, pelo menos por um período histórico, no quadro de um partido ou movimento, pois o cimento que mantém uma formação destas unida é o seu papel na luta de classes em si mesma, o fato de que é a classe em movimento; o que segura as tendências antagônicas é a pressão dos inimigos de classe do lado de fora. Enquanto essa não for a situação real do movimento, nada mais pode tomar o seu lugar, aí incluídas as exortações contra o “sectarismo”.

A segunda proposta almeja o mesmo resultado por uma via diferente: a fundação de uma seita cujo ponto programático distintivo é o de voluntariamente desdenhar todos os pontos programáticos distintivos. Isso seria obtido limitando o programa a uma base socialista (ou radical) mínima sobre a qual “todos” podem concordar, isto é, uma afirmação do socialismo em abstrato. Se uma ala esquerda quiser empurrar o grupo para uma posição revolucionária, como “Nenhum apoio aos democratas”, a base mínima explode; na prática, portanto, o programa tem de ser reformista. O Partido Socialista7 tem desejado ser esse tipo de seita desde que deixou de ser um movimento de massas; e mais recentemente o “New American Movement” se dispôs a concretizar essa meta de alguma forma ainda não muito clara.

Algumas vezes esse objetivo deriva da reminiscência de um período histórico diferente (antes de 1917) quando o Partido Socialista era um aglomerado de visões políticas diferentes que ainda não eram conscientemente entendidas como basicamente antagônicas e cujas consequências ainda não tinham sido expostas na prática. Mas não se pode simplesmente passar uma moção para voltar no tempo à época de Debs8.

Enquanto a vida da organização (quer se autodenomine “partido” ou não) for de fato baseada em suas ideias políticas distintivas, em vez de nas lutas sociais reais em que se engaja, não poderá suprimir o choque entre programas que requerem ações diferentes em apoio a diferentes forças. A questão chave se torna a obtenção de uma base de massas, o que não é apenas uma questão de números, mas de representação de classe. Obtendo uma base de massas na luta social, o partido não tem necessariamente que suprimir o jogo interno de conflito político, pois a força centrífuga dos desacordos políticos é contrabalançada pela pressão centrípeta da luta de classes. Sem uma base de massas, a seita que se autodenomina partido não pode suprimir o efeito divisivo das diferenças fundamentais entre (por exemplo) apoiar ou enfrentar partidos capitalistas locais na forma de democratas liberais9 ou apoiar ou se opor às manobras do mundo “Comunista”.

6. Então, o quê?

Se o caminho da seita é um beco sem saída, então o quê?

O caminho da seita sempre foi um beco sem saída; entretanto, movimentos socialistas nasceram ou foram criados.

Nunca houve um único caso de uma seita que tenha se tornado, ou dado origem, a um movimento socialista genuíno – através do único processo que as seitas conhecem, o processo de acreção. A mentalidade tipicamente vê o caminho adiante como aquele em que a seita (geralmente a nossa própria) vai crescer e crescer, por que tem o Programa Político Correto, até se tornar uma seita grande, depois uma seita maior, no devido tempo um pequeno partido de massas, depois maior, etc., até que se torna grande e massiva o suficiente para se impor como o partido da classe trabalhadora de fato. Mas em duzentos anos de história socialista, isso nunca aconteceu de fato, apesar de inúmeras tentativas.

Isso não prova que nunca vai acontecer num futuro imprevisível. Mas prova que dever haver algum outro caminho para a formação de um movimento socialista genuíno, que não seja o caminho da seita.

Essa rota foi quase totalmente esquecida na sectarização geral dos círculos socialistas em nosso período. O mais superficial conhecimento da visão de Marx sobre o que deve ser feito para construir um movimento socialista é suficiente para lembrar que Marx era violenta e incondicionalmente hostil a qualquer coisa parecida com uma seita. Não apenas ele nunca tentou organizar uma seita marxista, mas positivamente ridicularizou os que tentaram.

É menos fácil entender que Lênin nunca quis formar e bunca formou uma seita, e que o partido Bolchevique não foi o resultado da formação de uma seita que cresceu por acreção. Quando Lênin voltou do exílio na Sibéria em 1900 e foi para o exterior começar a luta para embeber os círculos socialistas existentes nas ideias do marxismo revolucionário, ele nunca pensou em criar seu próprio grupelho ideológico, sua própria seita, embora os socialistas russos na emigração já estivessem divididos em seitas (que por sua vez já estavam rachando, etc.)

O que Lênin ajudou a criar foi um centro político marxista que não tinha forma de seita, encarnado em um periódico tripulado por um birô editorial – a Iskra (Centelha).

Esse centro político educava para o marxismo revolucionário pleno. Ao mesmo tempo, o partido/movimento que advogava era um partido socialista inclusivo, no qual o centro marxista revolucionário constituiria uma tendência, se possível dominante. Cada lado da figura condicionava o outro: “antes que possamos nos unir, e para que possamos nos unir, devemos primeiro que tudo fixar firme e definidamente as linhas de demarcação entre os vários grupos”, escreveu Lênin ao fundar a Iskra. Mas as linhas de demarcação não eram para ser fixadas entre seitas, com paredes organizacionais entre elas: esse era o caminho da seita, que ele não seguiu.

A Iskra não era apenas um empreendimento “literário”: esse é um mal-entendido. Um trabalhador na Rússia se tornava um “iskrista” na medida em que concordava com as posições políticas desse centro político; e como “iskrista” ele próprio se tornava um centro político para divulgar ainda mais essas posições nos círculos populares em que trabalhava, na sua fábrica, na sua aldeia, no seu círculo socialista. Uma das posições divulgadas por esse centro político era que o partido/movimento a ser construído deveria ser amplo. Lênin nunca abandonou essa concepção de como construir um movimento socialista em nenhum momento antes da Revolução de Outubro. Foi com base nessa concepção que o partido leninista, na verdade, evoluiu.

Nós não propomos nem o movimento russo nem o itinerário de Lênin como modelo para os Estados Unidos na década de 1970. O significado do caso é diferente. Por um lado, é que muitas das seitas acreditam estar seguindo as pegadas de Lênin ao construir uma seita “dura” com base num programa-shibboleth. Elas estão erradas por que, nessa crença, apenas internalizaram o que leram ou ouviram sobre a natureza do “leninismo” pela indústria anti-bolchevique do “establishment” americano. Por outro lado, o caso do caminho de Lênin’ para um partido revolucionário é importante por que ele o aplicou de maneira única. Essa maneira única era ser sério e intransigente a respeito de manter um centro político marxista revolucionário como instrumento para embeber o movimento todo com suas ideias, e insistir que as maiorias assim obtidas fossem reconhecidas pelo movimento em seu conjunto. Foi a ala direita quem rachou.

O que nós sustentamos é que a alternativa para a via da seita que é sugerida pelos sucesso e fracassos da história do socialismo é também sugerida pela generalização do modelo da Iskra de Lênin assim como por uma dúzia de outros casos da construção de movimentos socialistas reais, em diversos contextos e circunstâncias.

7. O Centro Político

O que fazer para preparar o terreno para a eventual formação de um movimento/partido socialista nos Estados Unidos, isto é uma formação socialista com base de massa que seja a expressão da classe trabalhadora se movendo rumo a uma colisão com os poderes estabelecidos da sociedade capitalista?

Nos dirigimos em primeiro lugar ao indivíduo socialista que tenta imaginar o que ele pode e deve fazer, além de aderir à seita da sua escolha e desperdiçar suas energias nas vicissitudes da vida de seita:

Você tem a oportunidade de empreender uma caminhada socialista de dupla face, ligada às suas circunstâncias. Sugerimos a seguinte ligação em duas vias para você, sendo ambos os lados necessários para que a coisa toda tenha sentido.

(1) A sua contribuição básica à eventual formação de um movimento socialista é o que você fizer para desenvolver um círculo socialista em torno de onde você está agora. Pensamos em primeiro lugar no seu papel no local de trabalho (fábrica, escritório, escola, ou o que for).

Primeiro as primeiras coisas: o que o movimento da classe trabalhadora americana precisa, primeiro de tudo, é a cristalização de uma oposição militante organizada nos sindicatos, pois este é o movimento existente dos trabalhadores, e o único.

Seria um erro sectário e triste pensar nisso como uma oposição “radical” ou socialista, ainda que ela venha a ser inevitavelmente movida principalmente por radicais e socialistas de todos os tipos, e também inevitavelmente leve seus militantes a pensar em termos radicais e socialistas. O que é necessário é uma ala ampla e progressista do movimento sindical. Em termos marxistas, isto se define adequadamente como uma ala que advoga um sindicalismo de luta de classes, oposto ao sindicalismo de negócios, quer se defina a si mesma em termos de luta de classes ou não. Do ponto de vista do trabalhador, há o sentimento de uma necessidade de empreender uma luta sindical militante sem “se misturar” com socialismo ou “vermelhos”. Do ponto de vista do socialista, a organização de uma oposição militante ao “establishment” sindical cria uma escola elementar de socialismo baseado na luta de classes. Uma de suas conseqüências, por exemplo está ligada à politização do movimento sindical: a sua entrada em ação política independente, a qual depende, por sua vez, da quebra da sua ligação com as políticas do Partido Democrático.

Esse movimento de oposição deve ser uma oposição leal. Isso quer dizer: leal aos interesses do sindicalismo, no mesmo grau em que combate o chefe e o burocrata, cujo poder não é do interesse do sindicalismo. É necessário proclamar isso hoje em dia – colocar na bandeira, por assim dizer – por que as seitas radicais foram muito bem sucedidas em desacreditarem a si mesmas diante dos sindicalistas conscientes, e em confundir “sindicalismo radical” com ações de comandos de uma seita para tirar proveito de uma situação de fábrica através de uma demonstração de “militância”, mesmo que às custas dos interesses dos trabalhadores, ou da destruição do trabalho sindical, desde que um par de membros seja recrutado para a seita. Os seitistas que operam em sindicatos e fábricas para subordinar os interesses dos trabalhadores às sortidas e aventuras propagandísticas de suas seitas são inimigos da classe trabalhadora e do socialismo, não meramente “radicais equivocados” a serem advertidos em editoriais marxísticos. Eles não são aliados “aventureiros” do nosso campo na luta de classe; são sabotadores que nem sempre podem ser distinguidos de provocadores da polícia. Qualquer movimento militante de oposição nos sindicatos que faça alianças com tais elementos merecerá o que lhe acontecer.

Se você está em contato regular com um grupo de pessoas – no local de trabalho ou outra situação de “massa” – que você está tentando influenciar em uma direção socialista, então você está fazento alguma coisa. O que o futuro movimento socialista precisa é uma rede de círculos socialistas informais – ou formais, se você faz questão – que tenham uma relação integral com as lutas reais que as pessoas estão travando10.

O mesmo vale para o movimento negro, o movimento de mulheres trabalhadoras, o movimento estudantil, etc.

Você pode estar acostumado a crer que apenas membros de seitas se interessariam por esse trabalho. Não é assim. Há inumeráveis casos em que células de militância desse tipo surgiram em locais de trabalho, escritórios ou escolas, em torno de pessoas que nem mesmo são socialistas, ou não sabem que são.

O que é verdade é que a participação numa seita frequentemente é o estímulo para desempenhar esse papel, através de pressão de grupo e direcionamento, e que uma seita pode prestar o serviço de prover material de leitura e estudo, etc., para a atividade do círculo. Isto aponta para o lado positivo do trabalho de seita, que não podemos negar. O que isso significa é que esforços socialistas ao longo dessas linhas precisam da assistência de um centro político de algum tipo, para o qual se possa olhar em busca de literatura, conselho e ajuda. Além disso, logo surge a necessidade de ligar os esforços individuais e dos círculos.

(2) Mas o papel de um centro político não precisa ser desempenhado por uma seita.

Historicamente, esse serviço tem sido prestado com mais freqüência e melhores resultados por um jornal ou outra publicação de um centro político socialista que se organiza simplesmente como um birô editorial ou outro empreendimento editorial. (A Iskra foi apenas um de dúzias de exemplos de como isso foi feito quando movimentos socialistas surgiram em todo o mundo. Historicamente, também, centros políticos desse tipo têm frequentemente assumido funções organizativas à medida que sua influência se espalha, a organização sendo o produto ou subproduto do trabalho de seus agentes e representantes (agentes da Iskra foram os braços organizativos do primeiro centro leninista). Isso se perderia se essas iniciativas fossem consideradas meros empreendimentos literários no sentido burguês usual. Há uma linha contínua que levou esses centros políticos da sua função como produtores de “literatura” ao seu papel como centros para a estimulação de organização em uma forma ou outra.

Centros políticos assim estão em operação hoje neste país, ao lado da proliferação das seitas, e as vezes de forma bem efetiva. Naturalmente, é uma questão de centros políticos das mais variadas cores políticas, a maioria deles desagradável aos nossos olhos – e aos olhos uns dos outros. Nós os mencionamos não para celebrar o seu trabalho, mas para mostrar alternativas ao caminho da seita.

O Guardian11 e a Monthly Review12 de Sweezy têm funcionado mais ou menos como centros políticos emergindo de uma tendência neo-estalinista de um tipo ou outro. (de fato, o Guardian está agora envolvido com um punhado de seitas neo-estalinistas numa discussão sobre a formação de um “partido” maoista a partir da sua unificação). No lado da social-democracia de direita, a clique de literatos em torno do Dissent13 funciona como o único centro político para essa tendência fora dos escritórios de George Meany.

Esses exemplos diferem no grau de atenção que prestam, ou prestaram em outros tempos, aos seus leitores (seguidores) “em campo”. Para o nosso propósito basta ressaltar que um centro político não precisa ser uma seita. Mais: um centro político pode ter uma relação com seus seguidores que não seja amaldiçoada pelos requerimentos rígidos da vida organizacional, seus votos de vida-ou-morte, lutas de facção, rachas, disputas internas, e rituais para iniciados implícitos na imitação de um partido de massas em miniatura.

Do ponto de vista do indivíduo socialista que quer “fazer alguma coisa”, resumiríamos nossas sugestões assim:

  1. Cristalize um círculo de co-pensadores em torno de você, onde quer que você esteja, no decurso de suas atividades na arena da luta social que tem a ver com a sua situação. Você é o menor centro político que existe.

  2. Faça contato com um centro político que faça sentido do seu ponto de vista, para ajuda em literatura, conselho, e contatos, e trabalhe com ele até onde você achar útil. Mas não há razão para não ter essa relação com mais de um centro político, se eles servirem às suas próprias posições políticas. Esse centro político pode até mesmo ser uma seita; mas se você não se torna um membro, ela se relaciona com você apenas como um centro político entre outros. Essa relação aberta: você não tem voz nem voto nas decisões da seita, mas a seita também não pode dizer a você o que fazer impondo a sua disciplina sobre o seu próprio discernimento. Você não erige uma barreira organizacional entre você e alguém que adere a outra seita, ou a nenhuma. Em seu trabalho, use qualquer literatura que você queira, qualquer que seja a fonte. Use o seu dinheiro, não para contribuir para as finanças da seita, mas para financiar seu próprio trabalho. Se tantos seguirem esse rumo que o sistema de seitas quebre, isso seria uma coisa boa para as futuras potencialidades de um movimento socialista americano.

É mais provável que um movimento socialista genuíno surja de um complexo de relações frouxas assim do que do mundo fossilizado das seitas. Não temos a ilusão de que um número muito grande de indivíduos vai começar amanhã a trilhar o rumo que descrevemos acima. Até aqui estivemos simplesmente interessados em ilustrar a maneira em que movimentos socialistas emergiram em outros lugares – a única maneira, num esboço amplo. Esboçamos o tipo de desenvolvimento que provê uma alternativa ao modo de organização das seitas, que está jogando o socialismo americano para baixo.

Muito provavelmente, o que quer que aconteça neste país vai ser um tanto diferente – como é habitual. Se círculos socialistas não estão pipocando numa escala de massa, é também verdade que não nenhuma outra direção visível na qual o surgimento de um movimento socialista de massas está logo ali. Tudo que se pode fazer é trabalhar em uma direção na qual os esforços não sejam desperdiçados, qualquer que seja o resultado. Só o que temos certeza é que o caminho da seita não leva a lugar nenhum.

O “Independent Socialist Committee” é ele mesmo um esforço para estabelecer um centro político para nossa corrente de marxismo revolucionário: a posição de que os trabalhadores de todos os países constituem a base de classe de um Terceiro Campo14 que deve lutar para destruir tanto o sistema capitalista quanto o coletivismo burocrático “comunista”, se quisermos estabelecer a democracia revolucionária de um mundo socialista. Ele começa como um birô editorial para a produção de livros e panfletos (ainda não um periódico) encarnando a defesa dessa visão de mundo. Dessa forma estamos seguindo nosso próprio conselho.

Outubro de 1973

Nota sobre o texto

1. Este texto foi originalmente esboçado quando o quinzenário New Politics15 planejava organizar um simpósio sobre a questão de como reconstruir um movimento socialista nos Estados Unidos. Os editores do New Politics resolveram não incluir este artigo no simpósio. Mais tarde, revisei o texto um pouco, e ele circulou informalmente.

1 Há um problema de terminologia. “Seita” é uma palavra frequentemente usada para designar, de forma insultuosa, um grupo do qual não se gosta. “Movimento” é frequentemente usada para descrever que não existe em uma forma organizada, como quando “o movimento socialista americano” é designa os elementos socialistas dispersos que em geral não se “movem” nem um pouco. Vamos usar aqui esses termos com significacos mais precisos. Uma seita se apresenta como a encarnação do movimento socialista, mas é uma organização de filiados cujas fronteiras são estabelecidas de forma mais ou menos rígida pelos pontos do seu programa político, mais do que pela sua relação com a luta social. Em contraste, um partido da classe trabalhadora não é simplesmente uma organização eleitoral, mas, antes, quer participe de eleições ou não, uma organização que é realmente o braço político de setores decisivos da classe trabalhadora, que reflete (ou refrata) a classe trabalhadora em movimento, tal como ela é. Um “movimento socialista” resume as manifestações de massa de uma classe trabalhadora socialista em diversos campos, não apenas o político, geralmente em torno de um partido socialista de massas. Para os propósitos do presente texto, a distinção importante é entre a seita como forma de organização e uma forma de organização comum em outros países mas que ainda não existe neste país atrasado.

Esta abordagem é básica para o texto, pois este lida essencialmente com a questão: existe uma alternativa para a seita como modo de organizaão que domina toda a história do socialismo americano, passado e presente? (H.D.)

2A resposta, por falar nisso, é: não; a revolução cubana fez Fidel, não o contrário. Mas essa é outra história. (H.D.)

3Shibboleth, palavra hebraica significando “espiga”, que, segundo a Bíblia, os gileaditas obrigavam os que queriam atravessar o Jordão a pronunciar, pois os efraimitas, inimigos dos gileaditas, não conseguiam pronunciar corretamente a palavra. Aqueles que pronunciassem “sibboleth”, como era típico dos efraimitas, eram assim executados (Juízes, 12:5-6). Por extensão, usa-se para palavras ou expressões que, independentemente do significado, caracterizam um grupo qualquer. (L.H.)

4Usamos este termo esquisito em vez de “sectário,” que geralmente subentende um determinado tipo de política. É necessário um termo para os que se baseiam na forma organizacional da seita, qualquer que seja a linha política da seita. (H.D.)

5Para uma apreciação mais positiva das forças e fraquezas da Nova Esquerda, ver a coleção The New Left of the Sixties, editada por M. Friedman (Independent Socialist Press, 1972). (H.D.)

6Pelegos clássicos do sindicalismo mafioso norte-americano. (L.H.)

7Ou seja, o Partido Socialista americano. (L.H.)

8Eugene Debs, líder do Partido Socialista americano no começo do século XX. (L.H.)

9Ou seja, membros “progressistas' do Partido Democrático nos Estados Unidos. (L.H.)

10Em vez da proliferação de grupos do tipo seita, gostaríamos de ver uma proliferação de clubes socialistas abertos, círculos de discussão, fóruns, e outros agrupamentos similares, soltos e despretensiosos, formadas em torno de situações de local de trabalho por pessoas engajadas num trabalho comum. Esses estariam entre os núcleos em torno dos quais um movimento socialista real poderia se cristalizar, dadas condições favoráveis. Reconhecemos que as “condições favoráveis” não existem agora, especialmente por que os seitistas estariam ansiosos por esmagar esses desenvolvimentos promissores no seu abraço fatal. (H.D.)

11Semanário de esquerda americano, publicado em Nova Iorque de 1948 a 1992. (L.H.)

12Revista mensal de esquerda, publicada em Nova Iorque desde 1949. (L.H.)

13Revista quinzenal publicada em Filadélfia desde 1954. (L.H.)

14Para Draper o Terceiro Campo se opõe aos dois primeiros, isto é, o imperialismo americano e a ditadura burocrática “soviética”. (L.H.)

15Revista semestral de esquerda norte-americana, publicada em Nova Iorque de 1961 a 1978, e depois novamente de 1986 em diante. (L.H.)

 
 

 

fim