topo
 
 
 
 
 
22/12/2010
 
LIVRES DA MENTIRA E DA EMPULHAÇÃO
 
 
  Internet

Nas eleições de 1994 e 1998 os ataques à candidatura petista só estimularam o preconceito, visto que Lula nunca havia exercido cargo na administração pública e não tinha, segundo eles, qualificação para o exercício da Presidência da República, pois tratava-se de um operário sem diploma de nível superior. Posteriormente subiram mais o tom: atacam a candidatura petista disseminando o medo e ameaçavam de que um provável governo do PT dividiria residências e propriedades, infundido pavor e desesperança à classe média.

Aliás, esta pecha imputado ao PT só foi possível de ser definitivamente extirpada em 2002, quando a candidatura de Lula teve como vice-presidente o empresário e industrial José Alencar, um autêntico representante da burguesia.

As eleições deste ano também vitimaram nossa candidata Dilma Rousseff, primeiro com e-mails despropositados sobre sua militância política, tachando-a de terrorista, assaltante e até assassina. Aliás, além de mentirosos, revelavam um total desconhecimento da história, visto que a resistência armado no Brasil não guardou nenhuma relação com práticas identificadas com o terrorismo. Os atos identificados com uso de bombas, queimas de bancas de revistas e tortura foram práticas exclusivas da ditadura militar. As mensagens grosseiras objetivando desqualificar a postura de uma militante altiva e corajosa, cujo caminho, na época, apontava à clandestinidade para os que lutavam por democracia nos tempos da ditadura militar. Aliás, um caminho percorrido por milhares de jovens de sua época que ousaram enfrentar a ditadura militar. Lutara, portanto, pela democracia e não por sua supressão.

Pagou um preço alto: presa, torturada e condenada à prisão por três anos. Felizmente não teve o destino de muitos outros companheiros que tombaram ou foram assassinados durante os anos de chumbo da ditadura militar. Superou toda essa dor, foi estudar no Rio Grande do Sul e aos poucos retomou sua militância com aqueles que creditam ao movimento de massa o caminho da transformação social.

Depois atacam Dilma Rousseff como defensora do aborto, porque pertence a um partido de defende a descriminalização do aborto. Numa simplificação tosca, buscaram retornar o debate aos tempos da inquisição e deram passos significativamente retrógrados ao tema. O aborto foi, é e continua sendo uma agressão à mulher, à vida, inclusive da progenitora. Nenhuma mulher que faça aborto deixa de se sentir violentada, independente de suas razões. Mas nossos adversários, aproveitando da boa fé da população, fizeram veicular panfletos, e-mails acusando Dilma Rouseff de defender o aborto. Pura inversão de valores. Por ironia, desmentidos pela dolorosa razão do destino, uma vez que a própria mulher do candidato a presidente também havia sofrido a violência do aborto.

Passam então a taxar o Governo Lula de privatizador; eles defensores da “estatização”. Como se os dirigentes do PSDB não fossem responsáveis pelo Programa Nacional de Privatização, pela privatização da Vale do Rio Doce, pela privatização dos sistema TELEBRAS, EMBRAER, Meridional, Bancos Estaduais. Numa inversão falaciosa de valores, visto seus compromissos com a abertura de novos fronteiras para o capital monopolista. Não há nenhuma dúvida quanto ao compromisso do PSDB com o Consenso de Washington, com alinhamento à ALCA e com o receituário do FMI.

Assim também vem a enganosa defesa do trabalhador, negando o mais óbvio no Governo Lula: a distribuição de renda, o emprego, inclusão social e a redução das desigualdades sociais. O próprio candidato do PSDB, quando deputado constituinte votou em todas a matérias contra o trabalhador: garantia do salário-mínimo real, abono de férias e de 1/3 salário, 30 dias de aviso prévio, estabilidade no emprego, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, direito de greve e estabilidade do dirigente sindical.

Até se falou que José Serra mudou de posições muitas vezes, não só no curso das eleições de 2010. Sua principal mudança ainda no auto-exílio, quando se descolou de seu passado da juventude e em seu retorno para o Brasil veio para o CEBRAP (de Fernando Henrique Cardoso), financiado pela Fundação FORD, produzindo seus acalentadores relatórios colaboracionistas ao TIO SAM. Tal como seu padrinho, que pediu para que esquecessem do que escreveu, também torce para esqueçam do que foi. Mas a história não contemporiza com os trânsfugas; um dia faz justiça.



 
 

 

fim