topo
 
 
 
 
 
01/03/2010
 
Intervenção: qual intervenção?
 
 

Com a prisão do Governador José Roberto Arruda, a renúncia do vice-Governador Paulo Octavio, e a posse do Presidente da Câmara, Wilson Lima, como substituto dos dois, no governo do Distrito Federal, a questão da intervenção federal se coloca como necessidade. E, naturalmente, não faltam aqueles que se opõem a essa medida.

O mais forte argumento contra a intervenção é o de que ela ameaça a autonomia política do DF, pela qual todos nós tanto lutamos. No sentido mais amplo desse argumento, a intervenção marcaria o fracasso da política, a falência da democracia, e reforçaria a idéia de uma “salvação” a partir de cima, autoritária e anti-política.

Entretanto, esse argumento não se sustenta. Mais um ou dois meses de desgoverno, sob a batuta de um deputado do “baixo clero”, politicamente isolado, farão muito mais para “derrotar a política”, para falir a democracia, e para reforçar a idéia de que os representantes populares são incapazes de governar.

A verdade é outra. O Distrito Federal já se encontra, há longo tempo, sob intervenção. A intervenção de um “consórcio de empresários”, como muito bem o caracterizou o nosso partido: um grupo de empreiteiros de obras públicas, açambarcadores do transporte público, fornecedores de serviços de vigilância, asseio e conservação, informática, especuladores imobiliários, enfim, de grupos com negócios no governo se assenhoreou do GDF; o governador em exercício é parte integrante dessa intervenção. É nossa tarefa derrotá-la.

Derrotar essa intervenção exige desmontar os mecanismos espúrios que permitem aos empresários do “consórcio” dominar a máquina pública do DF e utilizá-la em seu proveito. O primeiro passo, evidentemente, é tirá-los das posições em que podem impedir a faxina política do DF.

O segundo passo é estabelecer os mecanismos legais e administrativos que permitam um controle firme dos trabalhadores e da população sobre as contas do GDF, a fim de que os governos de consórcios empresariais sejam impedidos de se estabelecer e mais fáceis de destituir.

Sabemos que é impossível abolir a corrupção enquanto vivermos sob a égide de um sistema capitalista, um sistema que tudo transforma em mercadoria. Sabemos, porém, que a luta contra esse sistema passa pela luta contra as suas manifestações mais espúrias, tais como a defraudação da soberania popular por quadrilhas de empresários que vemos no Distrito Federal.

Destruir esse esquema corrupto significa levar o (des)governo Wilson Lima ao isolamento, à derrota e à deposição. O caminho correto, hoje, é construir um amplo movimento popular pela intervenção federal. Pois a intervenção federal não é um fenômeno abstrato: imposta autoritariamente contra a vontade da população, configura de fato um fracasso da democracia; reivindicada e conquistada pelos trabalhadores organizados, constitui uma vitória da soberania popular contra os que dela abusam para aumentar seus patrimônios pessoais.

 
 

 

fim